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São José, Ilhéus

Kátia Ribeiro perdeu credencial na CEADEB, teve denúncia vazia contra pastor septuagenário arquivada no Conselho de Ética, foi desmentida nos tribunais sobre suposto desvio de verbas e vê base evangélica repudiar manobras de autopromoção política.

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ILHÉUS (BA) — O que parecia ser apenas mais uma disputa política local transformou-se em um dos maiores escândalos de bastidores da comunidade cristã no sul da Bahia. Kátia Ribeiro Simões Araújo, que durante anos utilizou a credencial eclesiástica da Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia (CEADEB) para ganhar projeção comunitária, viu ruir a narrativa de que seria a “dona” da tradicional celebração de missões da cidade após sofrer sucessivas derrotas no campo ético-ministerial e no Poder Judiciário.

Com mais de 90 anos de atuação ministerial e relevância social em Ilhéus, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus (Templo Sede) e seu líder com mais de quatro décadas de ministério ilibado, o Pastor Israel Alves Ferreira (73 anos), tornaram-se alvos de ataques após uma decisão puramente administrativa: a regular substituição de Kátia do encargo de vice-coordenadora do Departamento de Missões.

A Origem da Notoriedade e a Ruptura por Vaidade Política

Conforme documentos e registros eclesiásticos, Kátia não possuía relevância pública independente fora das dependências do templo. Todo o capital social e a projeção comunitária da qual se valeu decorreram da própria congregação, que a indicou formalmente para obter o status eclesiástico na CEADEB e lhe confiou tarefas comissionadas na equipe missionária.

Todavia, após a expressiva notoriedade da celebração de 2022, o púlpito passou a ser instrumentalizado como trampolim partidário. Ao perceber que a congregação e os fiéis estavam sendo convertidos em palanque eleitoral, a liderança — em estrito exercício de sua autonomia constitucional e estatutária — promoveu a substituição da coordenação de missões. Inconformada com a perda da vitrine, Kátia rompeu com a instituição e passou a disseminar ataques em grupos de mensagens contra o pastor e a diretoria, alegando uma pretensa “perseguição”.

Denúncia Vazia no Conselho de Ética da CEADEB Foi Arquivada

Antes mesmo de judicializar a contenda, Kátia buscou retaliar a liderança da congregação no âmbito eclesiástico. Ela formulou uma representação formal contra o Pastor Israel Alves Ferreira perante a Comissão de Ética e Disciplina da CEADEB.

O órgão disciplinar da convenção estadual, contudo, após analisar os fatos com rigor, determinou o arquivamento sumário da denúncia, constatando que não havia qualquer fundamento fático, documento ou suporte probatório mínimo capaz de justificar a acusação. A manobra eclesiástica fracassou antes mesmo de avançar, restando evidente o propósito de desgastar moralmente um ministro septuagenário.

A Manobra da Associação e o Projeto de Lei nº 060/2023

Frustrada na esfera convencional, a ofensiva migrou para o campo legislativo e cartorário. Valendo-se da tramitação do Projeto de Lei nº 060/2023 (que culminou na Lei Municipal nº 4.290/2024), de autoria do vereador Paulo Carqueija — projeto que incluiu a feira no calendário municipal para fomento cultural e turístico, sem impor qualquer obrigação financeira à Prefeitura —, Kátia registrou, anos depois, uma entidade privada batizada de “Associação Passeando pelas Nações”, apropriando-se do nome constante na lei.

A criação cartorária da entidade coincidiu com o momento em que a Assembleia de Deus formalizou o Processo Administrativo nº 8348/2026 junto ao Município, requerendo apenas autorizações de trânsito, posturas e alinhamento do espaço público na Avenida Soares Lopes. Ciente desse protocolo, a ex-missionária ajuizou ação cível com pedido liminar para proibir o culto e embargar a “4ª Feira Missionária das Nações”, alegando falsamente que o Pastor Israel e o templo estariam desviando recursos dos cofres públicos.

O Tombo Judicial: Liminar e Agravo no Plantão Negados

A acusação não se sustentou perante a Justiça. Documentos eclesiásticos acostados aos autos comprovaram que a Assembleia de Deus promove eventos missionários e culturais das nações desde o ano de 1996 — muito antes de Kátia ingressar na igreja (o que só ocorreu em 2006). Restou provado também que o evento é custeado integralmente por recursos privados eclesiásticos, sem qualquer verba municipal, conforme autoriza o art. 4º da própria legislação local.

Diante da ausência de plausibilidade jurídica, da vedação à interferência estatal na liturgia e no culto (art. 5º, VI, da CF) e do evidente perigo de dano financeiro reverso, a 4ª Vara Cível de Ilhéus negou o pedido de suspensão da feira.

Desesperada com o revés em primeiro grau, a autora tentou recorrer no regime de Plantão Noturno do TJBA (Proc. nº 8158167-56.2026.8.05.0000). A Desembargadora Plantonista rejeitou o processamento do pedido no plantão, chancelando a decisão de piso, e o recurso acabou posteriormente inadmitido pelo Desembargador Relator, sepultando de vez a pretensão inibitória.

Sem Púlpito e Sem Mandato: O Isolamento nos Bastidores

A audácia de tentar embargar judicialmente a celebração de fé gerou imediata indignação nos meios comunitários e religiosos. Os mais de 8 mil membros da denominação e ministros evangélicos de toda a região sul da Bahia manifestaram firme repúdio às acusações e declararam apoio irrestrito ao Pastor Israel Alves Ferreira.

Hoje fora do rol de membros da congregação, sem o título de missionária e desprovida de credencial da CEADEB, Kátia Ribeiro encontra-se politicamente desidratada. Conhecida no meio político pelas idas e vindas de alianças — tendo ocupado cargo e transitado de pré-candidata a vice na base governista de Marão para os quadros de Valderico Reis —, ela percebe que a credibilidade pública de que desfrutava pertencia à congregação e ao trabalho missionário da igreja, e não a um projeto pessoal de poder.

Enquanto a assessoria jurídica da Assembleia de Deus, Dr. Nery Santana dá andamento aos pedidos de condenação por litigância de má-fé e às medidas cíveis e criminais contra a calúnia e a difamação perpetradas contra a diretoria, a estrutura da 4ª Edição Feira Missionária das Nações aconteceu nos dias 15,16 e 17/10 na Avenida Soares Lopes, mantendo viva a vocação evangelística e cultural da igreja, que nenhuma manobra política foi capaz de paralisar.

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