Durante participação no programa O Tabuleiro, o advogado Nery Santana relatou novos detalhes sobre o caso da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, que morreu após ser submetida a procedimentos cirúrgicos em uma unidade hospitalar de Ilhéus.

Segundo o advogado, Adriele havia retornado dos Estados Unidos em junho deste ano e estava morando em Ituberá, onde frequentava uma academia e mantinha algumas amizades. Ainda de acordo com o relato, foi por meio de uma dessas pessoas que ela teria tomado conhecimento da clínica em Ilhéus e demonstrado interesse em realizar os procedimentos.
Nery Santana afirmou que o hospital não estaria funcionando normalmente durante a noite e que a unidade após determinados horário só nesta rua ainda aberta especificamente para a realização do procedimento, que já havia ocorrido diversos atrasos incomunicáveis.
Segundo o advogado, Adriele entrou na sala de cirurgia por volta das 10h, com previsão inicial de término para aproximadamente 15h. Entretanto, conforme o relato, os horários foram sendo sucessivamente adiados e a família permanecia sem informações precisas sobre o que estava acontecendo.
A tia da empresária, que acompanhava o caso do lado de fora, teria recebido informações de que o procedimento ainda estava em andamento. As horas passaram: 18h, 19h, 20h, 23h, até que, por volta da meia-noite, uma pessoa teria saído do local e informado que Adriele havia morrido.
Ainda segundo o advogado, desesperada, a tia entrou em contato com o irmão dela que também era tio da vítima. Ele teria ido imediatamente até a unidade e, ao chegar, encontrado as portas fechadas e sem ninguém na recepção.
Nery Santana relatou que o familiar teria arrombado a entrada para tentar descobrir o que havia acontecido e encontrado a irmã morta dentro de uma sala, colocada em um saco preto. O momento teria sido registrado em vídeo pela própria tia.
O advogado também afirmou que, segundo familiares, integrantes da equipe médica teriam deixado o local antes da chegada dos parentes. O médico responsável, ainda conforme o relato, teria saído rapidamente do hospital.
A situação teria provocado ainda outro episódio: um familiar da vítima teria sido preso após arrombar o espaço para tentar ter acesso às informações sobre a morte da paciente.
Hospital teria UTI, mas estaria desativada
Durante a entrevista, Nery Santana também foi questionado pelo radialista Vila Nova sobre a estrutura do hospital e a existência de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo o advogado, a unidade teria estrutura de UTI, mas o setor estaria desativado. Ele também levantou questionamentos sobre a existência de profissionais especializados em terapia intensiva disponíveis no local para atender uma eventual emergência.
Quatro procedimentos realizados de uma só vez
Outro ponto destacado pelo advogado foi a quantidade de procedimentos realizados na paciente.
O site São José Notícias teve informações de que pelo menos foram feitos mais de quatro procedimentos simultaneamente. A situação deverá ser analisada tecnicamente e que o caso levanta questionamentos sobre os limites fisiológicos e a segurança de realizar múltiplos procedimentos em uma única intervenção.
O advogado também apontou que o episódio pode provocar um debate entre profissionais da área sobre a realização de procedimentos estéticos, segurança dos pacientes e eventual disputa por valores de mercado.
Guia de sepultamento
Nery Santana afirmou ainda que a guia de sepultamento não teria sido assinada pelo médico responsável, acrescentando mais um ponto que, segundo ele, deverá ser esclarecido durante a investigação.
As informações acima foram apresentadas pelo advogado Nery Santana durante entrevista ao programa O Tabuleiro e representam o relato da defesa dos familiares. As circunstâncias da morte de Adriele deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação, incluindo a apuração sobre as causas da morte, os procedimentos realizados, as condições da unidade hospitalar e a conduta da equipe envolvida.