O cenário político da Bahia entra em uma nova fase — e, desta vez, marcada por movimentos mais rápidos, estratégicos e, acima de tudo, decisivos. As articulações para a próxima eleição já começaram a ganhar forma, e os principais grupos políticos do estado começam a deixar claro como pretendem disputar o poder.
De um lado, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, demonstra ter aprendido com os erros do passado recente. Diferente da última eleição estadual, quando foi amplamente criticado pela demora em definir sua chapa, Neto agora se antecipa e joga de forma mais agressiva no tabuleiro político. Ele já definiu seu candidato a vice: o atual prefeito de Jequié, Zé Cocá.
Zé Cocá chega para essa composição extremamente fortalecido. Sua reeleição em Jequié foi histórica, com impressionantes 91,97% dos votos, consolidando seu nome como uma das principais lideranças políticas do interior baiano. Sua escolha como vice não é apenas simbólica, mas estratégica: amplia a presença de ACM Neto no interior e fortalece a oposição fora da capital.
Vale destacar que o nome de Zé Cocá chegou a ser cogitado nos bastidores como possível vice do atual governador, Jerônimo Rodrigues. No entanto, o prefeito optou por seguir outro caminho, alinhando-se à oposição e reforçando o projeto político de ACM Neto. Essa decisão evidencia não apenas uma escolha individual, mas também o reposicionamento de forças dentro da política baiana.



Enquanto isso, no campo governista, Jerônimo Rodrigues também se movimenta para consolidar sua base. O governador já definiu que seguirá com Geraldo Júnior como seu vice, apostando na continuidade administrativa e política. A estratégia é clara: manter a base unida e fortalecer alianças já estabelecidas.
Apesar disso, os bastidores não foram tão simples. Jerônimo enfrentou resistências em sua articulação, inclusive com a negativa de Zé Cocá, que preferiu não integrar a chapa governista. Ainda assim, ao confirmar Geraldo Júnior, o governador sinaliza estabilidade e confiança em seu grupo político.
Diante desse cenário, o que se desenha é uma disputa com características bem definidas:
Uma oposição organizada, que se antecipou, definiu sua chapa e busca ganhar tempo e vantagem estratégica; Uma situação que aposta na continuidade, tentando consolidar sua base e manter a governabilidade.
A antecipação dos movimentos por parte de ACM Neto pode representar um diferencial importante na corrida eleitoral, especialmente em um estado onde alianças políticas e articulações regionais têm peso decisivo.
Por outro lado, Jerônimo Rodrigues aposta na força da máquina pública, na manutenção de alianças e na estabilidade de sua gestão como trunfos para a reeleição.
O fato é que a eleição na Bahia já começou — mesmo antes do calendário oficial. E, como toda boa disputa política no estado, promete ser intensa, polarizada e cheia de reviravoltas.
A pergunta que fica é direta: se a eleição fosse hoje, qual caminho o eleitor baiano escolheria?
Por Danilo Dias