Os reajustes nas contas de luz já atingem — ou devem atingir ainda neste primeiro semestre — cerca de 35 milhões de unidades consumidoras no Brasil, o equivalente a quase 40% do total. Em muitos casos, os aumentos superam a inflação e chegam a dois dígitos, com picos próximos de 20%.
O cenário contrasta com a previsão média de 8% divulgada pela Aneel, evidenciando uma realidade mais pesada para o consumidor. Distribuidoras de grande porte, como CPFL Paulista, Coelba, Enel Rio e Copel, concentram alguns dos maiores reajustes, variando entre 12% e 19%.
A diferença entre regiões chama atenção. Enquanto Norte e Nordeste tiveram aumentos mais moderados, graças a mecanismos de alívio, no Sul e Sudeste o repasse foi mais direto e significativo, ampliando o impacto no orçamento das famílias e das empresas.
Entre os principais fatores da alta estão os encargos setoriais e custos estruturais do sistema elétrico. O destaque é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia políticas públicas e subsídios no setor — e que é pago por todos os consumidores na conta de luz.
Em meio ao discurso de programas para aliviar tarifas ou até isentar determinados grupos, a conta segue sendo redistribuída. Na prática, o peso recai sobre milhões de brasileiros que já começam a sentir no bolso mais esse aumento.
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